O processo começa na construção e só termina quando a matéria decide parar.
O processo começa na construção. A partir de diferentes estruturas, são criados volumes, abertos caminhos, acrescentados elementos e feitas modificações. A forma não surge de um único gesto: é construída por camadas e etapas, até encontrar sua própria configuração.

O trabalho acontece entre construção, espera e observação. Enquanto a matéria seca, endurece ou se acomoda, pequenas mudanças podem alterar a superfície e interferir nos próximos gestos.
Nem tudo pode ser previsto ou controlado. Existe uma intenção inicial, mas a própria matéria oferece resistências, limites e possibilidades que passam a fazer parte do desenvolvimento da obra.

Marcas, sulcos, fissuras. A superfície registra o gesto e é o que separa uma peça feita à mão de um objeto industrial. Cada marca é a memória de uma decisão.


A peça descansa.
Enquanto a matéria se transforma, o tempo continua agindo sobre ela. Durante a secagem, pequenas mudanças acontecem e passam a fazer parte da história de cada obra. A superfície se acomoda, surgem marcas, pequenas alterações aparecem. O que parecia definitivo ainda pode se transformar.
Nesse momento, o controle sobre o processo diminui e a matéria passa a revelar, por conta própria, novas possibilidades. A secagem também é parte da construção.

O acabamento não cobre o que foi construído, apenas aprofunda o que a peça já mostrava. Cada escultura é única e não se repete.